Produção de seguros ultrapassa os 11 mil milhões de euros até julho, enquanto novos índices de atualização dos capitais das apólices de habitação entram em vigor no quarto trimestre.

O mercado segurador português mantém uma trajetória de crescimento em 2026. Até ao final de julho, a produção de seguro direto ultrapassou os 11 mil milhões de euros, representando um crescimento homólogo de 19,4%, de acordo com os dados divulgados pela Associação Portuguesa de Seguradores (APS).

O crescimento é particularmente expressivo no segmento Vida, que atingiu cerca de 5,8 mil milhões de euros em prémios nos primeiros sete meses do ano, mais 31% do que no mesmo período de 2025. O ramo Vida representa já 52,5% do total do mercado, impulsionado sobretudo pelo crescimento dos produtos de capitalização.

Nos seguros Não Vida, que continuam a ter um peso significativo na proteção de famílias e empresas, a produção atingiu aproximadamente 5,25 mil milhões de euros, correspondendo a um crescimento de 8,8%.

Entre os segmentos que mais cresceram encontram-se os seguros de Multirriscos Habitação e Condomínios (+10,7%), os seguros Automóvel (+10,6%) e os seguros de Saúde (+9,5%).

Capitais dos seguros de habitação são atualizados

A evolução do mercado surge também num momento em que os proprietários devem estar atentos aos capitais seguros das suas habitações.

A Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) publicou, em agosto, os índices de atualização aplicáveis às apólices do ramo “Incêndio e elementos da natureza” com início ou vencimento no quarto trimestre de 2026.  Para este período, o Índice de Edifícios foi fixado em 590,57, enquanto o Índice de Recheio de Habitação passou para 393,78. O índice conjunto de Recheio de Habitação e Edifícios ficou estabelecido em 511,86.

Face ao trimestre anterior, o índice dos edifícios aumentou 0,90%, enquanto o índice relativo ao recheio de habitação subiu 4,42%. Em termos homólogos, as variações são ainda mais significativas: 5,53% nos edifícios e 12,99% no recheio.

Esta atualização pretende reduzir o risco de subseguro, situação que pode ocorrer quando o capital contratado numa apólice fica desajustado face ao valor necessário para reconstruir ou substituir os bens seguros.

Crescimento também nos seguros Automóvel e Saúde

Os dados mais recentes da ASF confirmam a tendência de crescimento observada ao longo do ano.

No final do segundo trimestre de 2026, a produção global de seguro direto em Portugal tinha aumentado 18,1% face ao período homólogo de 2025, ultrapassando os 9,4 mil milhões de euros.

Nos ramos Não Vida, o crescimento foi de 9,2%, com destaque para os segmentos Automóvel e Incêndio e Outros Danos, ambos com uma subida de 10,6%, e para o ramo Doença, que cresceu 9,9%.

Ao mesmo tempo, os montantes pagos pelas seguradoras aumentaram 25,8%, refletindo um crescimento particularmente forte nos ramos Não Vida.

O que devem fazer os consumidores?

Num mercado em crescimento e perante a atualização dos valores de referência, especialistas recomendam que os consumidores não se limitem a renovar automaticamente as suas apólices.

É importante verificar se os capitais seguros continuam adequados, nomeadamente no seguro multirriscos habitação, e confirmar as coberturas, franquias e exclusões previstas no contrato.

No caso de uma habitação, por exemplo, o valor utilizado para efeitos de seguro não deve ser confundido simplesmente com o preço de venda do imóvel. O objetivo da cobertura de edifícios está relacionado com os custos associados à reconstrução, pelo que alterações nos custos de construção podem justificar uma revisão do capital seguro.

Para além disso, fenómenos meteorológicos extremos têm reforçado a importância de analisar cuidadosamente as coberturas relacionadas com fenómenos da natureza, danos por água, tempestades e inundações.

Um mercado em transformação

Os dados mais recentes mostram, assim, um setor segurador português em forte expansão. O crescimento da produção, a evolução dos seguros de Saúde e Automóvel e a crescente atenção dada à proteção do património colocam os seguros no centro das decisões financeiras de famílias e empresas.

Para os consumidores, o crescimento do mercado representa também uma oportunidade para comparar coberturas, preços e condições, garantindo que as apólices contratadas correspondem efetivamente aos riscos que pretendem proteger.